Tuesday, December 6, 2011

COMO UMA SUGESTÃO TÃO SIMPLES PODE IRRITAR TANTA GENTE?


Mauricio Aquino MV.

Sinceramente não sei o que incomoda mais alguns pesquisadores; se é o meu livre arbítrio em favor do uso racional do Africano, transformando um aparente problema numa solução ou se é a minha petulância, enquanto estudante, em contrariar o Episcopado Malacológico com sugestões tão óbvias.
Semana passada eu enviei, inocentemente, um resumo em inglês do artigo base de nossa campanha Aliança pela Vida, para um informativo Havaiano que se predispôs a  incentivar, em 2012, projetos em prol da conservação dos moluscos no planeta. O interessante foi que, além da publicação ter sido recusada, ainda tive que ler um e-mail mesclado de cinismo e grosseria! Quem já teve uma publicação negada (o que é normal) sabe que o processo não é bem assim. O e-mail veio carregado de negatividade pessoal!
Eu não sou malacologista, sou extensionista e ambientalista, com uma significativa lista de trabalhos conservacionistas prestados às comunidades rurais, realmente carentes no nordeste e já recebi, com certeza, ofensas muito piores na década de 80, de degradadores ambientais, realmente poderosos, que não viviam entrincheirados ofendendo pessoas por trás de ilusórios castelos de cartas em feudos universitários e governamentais.
Gostaria, portanto, de compartilhar alguns dos questionamentos e das minhas respostas, para auxiliar, inclusive, quem vier a se deparar com este tipo de argumentação no futuro.

As perguntas:

1.How much Money is being spent on control of A. fulica?
Quanto dinheiro o governo brasileiro está gastando com as campanhas terroríficas contra o Africano?
R. Esta é difícil de responder, já que não sou da cúpula da política nacional. Mas de uma coisa eu sei, o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto maior país do mundo em área territorial (47% do território sul-americano) com seus 7.491 Km² e  uma população de quase 200 milhões de habitantes; são 5565 municípios distribuídos entre 26 estados, portanto, não é uma Miame onde se gastou 1 milhão de dólares para erradicar o Africano há décadas atrás. Pena que tenha voltado.

2.  Is this sufficient Money to save hundreds of lives if spent on reducing malnutrition?
O dinheiro gasto com as campanhas seria suficiente para salvar milhares de vidas perdidas com a subnutrição?
R.
 E quanto dinheiro é preciso para minimizar a subnutrição, ou melhor, salvar uma vida das garras da morte? De acordo com Martins (2009, p.1) o Brasil é o quarto maior produtor mundial de alimentos, produzindo 25.7% a mais do que necessita para alimentar sua população, no entanto, ele ocupa o 6° lugar em subnutrição. Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que anualmente desperdiçamos o suficiente para alimentar 35 milhões dos cerca de 72 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, em situação de insegurança alimentar (ECODEBATES, 2009). De acordo com a FUNDAMIG (2009, p.1) o desperdício diário equivale a 39 mil toneladas de alimentos, o suficiente para saciar a fome de 19 milhões de brasileiros, com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e jantar. O que precisamos é de vontade política (vergonha da cara) para salvar o Brasil que a imprensa turística não divulga.
MARTINS, F. ONU Avalia que a fome no mundo cresceu: Combinação de crise alimentar com a desaceleração econômica global fez com que esse número aumentasse em 2009. Espaço Cidadania. Disponível em: Acesso em: 26 set. 2011.
ECODEBATE. Volume de alimentos desperdiçados no país alimentaria 35 milhões de pessoas. Disponível em: Acesso em: 26/09/2011.
FUNDAMIG. A lixeira não sente fome. Disponível em: Acesso em: 28/09/2011

3. How do you know that A. cantonensis was introduced to Brazil by rats and not by snails?
Como você sabe que o A. cantonensis foi introduzido no Brasil por ratos e não por caracóis?
R. Essa é fácil. “A distribuição silvestre do A. cantonensis no Brasil é provavelmente o resultado de múltiplas introduções do parasita, carreados por ratos, durante o período do Brasil Colônia. A descoberta de A. cantonensis na municipalidade situada longe do litoral, na região do vale do rio Paraíba e a observação da variabilidade morfológica intraespecífica dos vermes adultos, corrobora para essa hipótese.” (JÚNIOR, 2010, p.940)*
* JÚNIOR, A. M. et al. 2010. First report of Angiostrongylus cantonensis (Nematoda: Metastrongylidae) in Achatina fulica (Mollusca: Gastropoda) from Southeast and South Brazil. Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 105(7): 938-941. Disponível em: Acesso em: 23 set. 2011. 
"Quando falamos de epidemias na história do Brasil, a primeira a ser lembrada é a febre amarela. Transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, chegou ao Brasil no século XVII em navios que vinham da África. Os primeiros casos datam de 1685, no Recife, e de 1692, na cidade de Salvador." (APRENDEBRASIL, 2011, p.1)
PORTAL APRENDE BRASIL. As epidemias. Disponível em: <http://www.aprendebrasil.com.br/especiais/revoltadavacina/epidemias.asp> Acesso em: 06/12/2011

4. How do you know when A. cantonensis was introduced?
Como você sabe que o A. cantonensis foi introduzido no Brasil?
R. Já que a questão 3 não foi suficiente, vamos usar a velha e boa massa cinzenta, afinal, é para isso que ela serve.

Ex:. Caracóis Africanos + A. cantonensis = Infestação por Caracóis contaminados.

Já que as evidencias demonstram que o nematódeo já está no país há séculos, de acordo com Junior (2010, p. 940) e o Africano está no país há apenas 24 anos, eu posso concluir que o nematódeo foi introduzido pelo seu hospedeiro definitivo, os ratos, abundantes nos porões insalubres dos navios negreiros. Há alguma heresia nessa conclusão com exceção do reconhecimento da escravidão? Ou alguém é ingênuo em acreditar que os ratos  naquela época eram livres de parasitos?

5.Whether A. cantonensis was introduced withA. fulica, rats or other snails is not relevant. The fact is that A. cantonensis in now in Brasil. From a disease perspective it does not matter how it was introduced. It is present and A. fulica can certainly carry it.
Aqui temos uma afirmação, não uma pergunta. Resumindo tudo... o importante é que o agente etiológico está no Brasil... e o Africano pode ser vetor.
R. “É surpreendente a falta de especificidade do A. cantonensis em relação aos seus hospedeiros intermediários e de seus portadores. Diversos autores: Alicata (1), Kocan (12), Lim & Heyneman (13), Malek & Cheng (14), Rachford (15), Richards & Merritt (17), etc., apresentam uma longa lista de moluscos gastrópodes terrestres e de água doce, caracóis e lesmas, infectados por via natural ou experimental, hospedando larvas infectantes em sua terceira fase. Entre esses moluscos encontramos também diferentes espécies venezuelanas; por exemplo, Biomphalaria glabrata, conhecido como o hospedeiro intermediário de Schistosama mansoni, ao ser exposto em laboratório, resultou ser um excelente hospedeiro intermediário de A. cantonensis. E há que ter em mente que a lista de espécies de moluscos susceptíveis seguirá ampliando-se, a medida que se realizem novos experimentos. [...]Em seu ciclo normal, as larvas de terceiro estágio podem utilizar hospedeiros paratênicos, que dizer animais em cujo organismo pode sobreviver um período mais ou menos prolongado, sem sofrer nenhuma mudança. O hospedeiro paratênico, ao ingerir um molusco infectado ou seus despojos, se torna reservatório de A. cantonensis. Também as plantas (por exemplo, as verduras cruas) e a água podem ser reservatórios ocasionais, por contato com um molusco triturado. Deste modo os roedores e também o homem podem infectar-se mediante ingestão tanto do hospedeiro intermediário (molusco), como de qualquer outro reservatório.” (CHROSCIECHOWSKI, 1977)
CHROSCIECHOWSKI, Przemyslaw. Angiostrongylus cantonensis (Nematoda). Una amenaza potencial. Bol. Dir. Malariol. Y San. Amb., Maracay, Venezuela, p. 295-299. dez. 1977.

6. How do you know that A. cantonensis was present in Brazil long before the A. fulica was introduced? Certainly Angiostrongylus costaricensis was – that we know.
Como você sabe que o A. cantonensis está no Brasil antes do A. fulica ser introduzido? Certamente o A. costaricensis está, isso nós sabemos.
R. 
Leia a resposta da questão 4. Não há necessidade de ficar me repetindo.
Sinceramente, não vejo o porquê de tanta polêmica contra o aproveitamento do Africano para a preservação dos nativos. 
Se eu estivesse recomendando a introdução de outro caracol exótico para combater o Africano, que certamente, traria conseqüências desastrosas, eu até entenderia. Onde foi praticada esta sandice mesmo???Ah!!! Me lembrei. No HAWAI!!!
Mas sabe o que mais me surpreende em toda essa história? A arrogância de certos “pesquisadores” que se acham no direito de cercear a liberdade científica. Ainda bem que não nasci na idade média, já pensou? Lá não tinha internet!!!
Abaixo o texto da discórdia.


APOIO INTERNACIONAL


Dra. Liboria Matinela, Venezuela

Mauricio,
Es posible que tu artículo fue rechazado para evitar opacar otras pesquisas. Ciertos investigadores ponen una barrera a su línea de investigación y no aceptarán nunca que la Angiostrongilosis fue introducida con las ratas  mucho antes que el caracol africano apareciera. Existen evidencias firmes que la lista de especies susceptibles es extensa. La ciencia es libre, por lo tanto las investigaciones innovadoras productivas y aplicables despiertan el interés, mientras que otras pueden ser aburridas. ¿Qué explicación se puede tener cuando introducen en Venezuela especies como Thiara spp. para controlar a Biomphalaria glabrata y provocan la instalación de la Paragonimosis? Las Instituciones de salud han conformado una alianza internacional en contra de Achatina, actualmente han olvidado otras patologías presentes en nuestros países desde muchos años, a ellos se suman los medios de comunicación que disfrutan cuando un grupo de personas enferman para atribuir cualquiera dolencia al caracol negro y africano. 

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